Um ano depois nasceu o meu primeiro filho, o Ruben, foi uma experiência linda e marcante, aliás como para qualquer mulher.Não foi fácil engravidar e tive problemas durante a gravidez havendo o risco de um aborto espontâneo o que para mim era impensável e inaceitável, mas tudo correu bem e nasceu o meu filho cheio de saúde, mas foi um parto difícil.
Entretanto o meu marido foi colocado em Santa Margarida onde ainda hoje está e só nos víamos ao fim-de-semana. Depois do nascimento do meu filho fui trabalhar para uma fábrica de calças no Bairro dos Arneiros; não era um trabalho de que gostasse muito, pois era rotineiro; tinha de dar produção e o meu trabalho consistia em coser os fechos das calças e os botões; trabalhei lá durante 3 anos.
Ao fim desse tempo saí e fui trabalhar para uma Clínica Veterinária, o que me agradou imenso pois assistia a doutora durante as consultas e nas operações.
Lembro-me de assistir ao parto de uma gatinha. Tinha de receber os gatinhos e de prestar-lhes assistência, soprar-lhes na boca e abaná-los até miarem, que era sinal que tinham os pulmões desobstruídos e respiravam sozinhos.
Limpava o canil todos os dias e passeava os cãezinhos que estavam no nosso hotel enquanto os donos estavam de férias.
Aqui tinha contacto, para além da patroa, também com o marido. No início não desconfiei dele, pois pensava que eram atitudes simpáticas, de pura harmonia laboral onde se trabalhava como equipa. Mas com o passar dos tempos apercebi-me que fazia algumas tentativas, ou seja, ele procurava tocar-me sem qualquer tipo de motivo; as conversas passaram a ser insinuantes, enfim, as situações eram algo desconfortáveis. No início até o admirava como colega mas depois passei a ter sentimentos de repulsa e sentia um desconforto quando ia para o trabalho e tinha de ficar sozinha com ele, pois a mulher costumava ausentar-se para tratar de assuntos. Sempre que me era possível tentava afastar-me dele, o que de certa maneira lhe criou alguma raiva e começou a ser indelicado e agressivo comigo.
Esta situação, como se pode esperar, trouxe-me alguns problemas no trabalho, pois sempre que podia ele tentava deitar-me abaixo, desfazia constantemente do meu trabalho, para ele nada estava bem. O que também começou a afectar o meu relacionamento com a esposa, que também era minha patroa, mas que não suspeitava de nada, para ela eram simples problemas de trabalho.
Ao fim de algum tempo achei que o assunto já tinha ido longe de mais e que tinha que tomar uma atitude, então decidi falar com ele dizendo-lhe que, ou ele parava com os abusos, ou eu teria de tomar uma atitude. Estava a obrigar-me de certa maneira a rescindir o meu contrato, o que não era justo pois só queria trabalhar em paz e sossego e gostava que tivesse respeito por mim, da mesma maneira que ele gostaria que tivessem pela esposa dele. Disse-lhe que ao ser obrigada a rescindir o meu contrato iria alegar justa causa, contando à esposa e participando à policia o assédio sexual de que estava a ser vítima. Foi uma maneira que encontrei para resolver a situação.
Passado quase um ano, saí e fui trabalhar para o Hotel Malhoa, onde estive três anos, a desempenhar funções de administrativa; aqui tive de aprender muita coisa nova, pois tinha de tratar de toda a facturação de clientes e de fornecedores, para ser entregue ao contabilista da empresa, fazer a caixa diariamente, os depósitos bancários, controlar o economato fazendo as encomendas dos mais variados produtos tais como produtos de limpeza, bebidas para os mini-bares dos quartos, encomendar pão, croissants, manteigas, doces, frutas, etc, para os pequenos almoços; tudo isto com a colaboração da chefe de piso.
Nesta altura, decidi regressar à escola e estudar outra vez à noite, num sistema de Unidades Capitalizáveis, só que mais uma vez a meio desisti. É que trabalhar, ser dona de casa e estudar não é nada fácil e o facto de estar sozinha, com o marido longe e de ter um filho pequeno, era muito complicado.
Ao fim dos três anos no Hotel Malhoa, terminou o meu contrato e como financeiramente não andavam bem, não mo renovaram.
Mais uma vez… estava sem emprego e desmotivada, pois pensava; agora sem estudos e com um curriculum pobre o que vou fazer? … só que a sorte bateu-me à porta e arranjei um novo trabalho.
Sem comentários:
Enviar um comentário