
Quatro anos depois no dia 3 de Novembro de 1965, à 1,00h da manhã,


Dias depois do meu nascimento, regressámos ao
Não era a primeira filha deles, pois um ano e meio antes tinham tido um rapaz, assim como sete anos depois tiverem outro, mas esta história não é a deles, mas sim a minha.
Vivia feliz pois Angola era um país lindo. Devido à existência de várias tribos falavam-se vários dialectos tais como o Kimbundo, o Umbundo, o Kioco, entre outros, mas como é evidente a língua oficial é o Português. Devido à orografia, o clima era diversificado, desde o tropical ao temperado, como por exemplo nos planaltos de Huila e do Huambo, onde se produziam as mesmas culturas que se produzem cá, pois as terras eram muito férteis.
De notar que a fazenda onde vivi ficava no ponto mais alto de Angola, com
O ambiente era puro e sustentável, a própria natureza fazia a sua renovação. Era um país que se podia dizer que ninguém morreria de fome, porque tinha uma riqueza natural e que parecia inesgotável. Mas tudo era lindo naquele país, desde as praias até às montanhas com quedas de águas fabulosas passando pelo clima.
Lembro-me também de ter todo o espaço para brincar, correr, saltar, conviver com animais. Quando o meu pai fazia caçadas costumava levar-me com ele no jeep. Tinha um bambi como animal de estimação, e um cão de que eu não gostava muito por ser mau, quando o soltavam ia ao galinheiro e matava as galinhas, não havia animal que entrasse na fazenda e saísse de lá com vida… A única pessoa que o controlava era o nosso cozinheiro Inácio.
Sempre que podia ia aos kimbos ou sanzalas,
(casas dos pretos) brincar com os pretinhos, visto que eu era a única menina branca e não tinha mais ninguém, para além do meu irmão.
Adorava andar à chuva; é que quando chovia fazia calor ao mesmo tempo. Era tanta chuva a que as estradas ficavam interrompidas e as pontes ruíam; havia alturas em que ficávamos completamente isolados de tudo.
Não tínhamos médicos nem hospitais por perto a não ser
Uma vez por mês iamos à cidade, a Nova Lisboa, fazer as compras do mês, de comida, medicamentos, roupas, enfim vária coisas, e nessa altura aproveitavamos para passear e ir ao cinema, o que para mim era uma alegria.
Enfim, são pequenas lembranças, visto ter pouca idade.
Para além de ter uma infância feliz de que me lembro perfeitamente, também me lembro um pouco da riqueza que havia naquele país, em termos de cultura e de costumes, devido à grande variedade de etnias existentes.
Os pretos também tinham as suas festas; os ximganjes, por exemplo eram pretos que se vestiam com trajes feitos de ráfia, com missangas, besuntavam-se com óleos que por vezes cheiravam mal e dançavam à volta das fogueiras.
Gostava de retratar um pouco com algumas fotografias para terem uma pequena ideia do que estou a dizer.



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