quinta-feira, 19 de junho de 2008

Associação de Agricultores do Oeste

Em 1995 fui trabalhar para a Associação de Agricultores do Oeste, no Bombarral, a desempenhar funções também de administrativa, graças aos três anos de experiência no Hotel Malhoa.

Aqui tive muitas experiências de vida que me satisfizeram bastante. A minha experiência era pouca no hotel, pois de computadores não percebia nada, então tive de aprender e comecei por fazer uma pequena acção de formação em Informática onde aprendi um pouco de Informática na óptica do utilizador (Microsoft Office, Excel, Internet e Correio Electrónico) aprendi a trabalhar com o fax, a fotocopiadora, o scanner, a máquina fotográfica, o data show, o retroprojector, o projector de slides enfim equipamento que era de certa maneira novo para mim, fiz pesquisas junto de pessoas que sabiam mais do que eu, consultei muitos livros, e manuais e entre uma asneira e outra fui aprendendo. Hoje domino perfeitamente as novas tecnologias de informação equipamentos e sistemas técnicos.

Tratava de toda a facturação de compras e de outros documentos para o contabilista, fazia controlo dos bancos e de caixa e criei, no Excel, um quadro de entradas e saídas a dar logo o saldo bancário em que sempre que havia uma entrada ou saída financeira tinha que ter a preocupação de ir lá lançar, ou seja, era um trabalho diário. Tínhamos também vários serviços de apoio ao agricultor. Um deles era fazer as contabilidades simplificadas, e como não percebia nada do assunto resolvi tirar um Curso de Contabilidade Agrícola onde aprendi noções de Contabilidade, de IVA, IRS, IRC, e do processamento da contabilidade de uma empresa; mais tarde tirei outro de Contabilidade e Gestão Agrícola, o que também me ajudou imenso.

Tinha um programa de contabilidade que era o Contaplus Profissional do qual eu não percebia nada, mas como sou persistente e curiosa fui "mexendo", pedi assistência técnica ao vendedor do programa, e mais uma vez venci, porque passei a trabalhar com o Contaplus Profissional com muita facilidade.

Ao deparar-me com novas situações de trabalho vi que tinha de investir em formação vista não ter formação académica. Para além deste trabalho a empresa também fazia formação agrícola e todo isso eram coisas novas para mim, era uma grande mudança na minha vida profissional e eu tinha de corresponder para ficar com o emprego, pois a concorrência era muita. Tive que aprender a lidar com várias situações por vezes complexas e arranjar forma de resolver os problemas que me surgiam, quer a nível de trabalho, quer a nível de relações com outras pessoas.

Neste hotel passei por uma situação desagradável que me marcou; ao aperceber-me que estavam a tentar fazer algo para que eu ficasse sem trabalho até culpar-me de uma situação grave, comecei a juntar provas para me poder defender se algo acontecesse.Então eis que eles conseguiram levar-me a tribunal, e aí como em português se diz “ Saiu-lhes o tiro pela culatra”, provei que era inocente e que se tinha desaparecido dinheiro não tinha sido eu, de certeza. A Ana e o director foram expulsos pela Administração do hotel.De volta ao trabalho a administração tentou recompensar-me, mas eu não aceitei uma vez que da parte deles, dos colegas que já me conheciam há muito tempo, chegaram a questionar a minha honestidade e como tal eu já não tinha nada a fazer ali, pois sentia-me completamente desmotivada, sem meios psicológicos para continuar a trabalhar. Para mim foi uma situação desagradável e que até hoje não consegui esquecer.

O meu trabalho consistia em fazer desde o projecto de formação até à execução das acções de formação. Para mim era mais uma coisa nova e tinha que acompanhar o processo pelo que consultei empresas, contactei com o próprio Ministério da Agricultura e aprendi como se faziam os projectos. Depois veio a parte em que as acções estavam a decorrer e também havia todo um processo a ser feito, como a elaboração do Dossier Técnico Pedagógico, que consistia primeiro na selecção de formandos, usando para tal os jornais locais, panfletos, rádios, etc, elaborei uma pequena ficha de inscrição e depois havia uma entrevista para ver o perfil e se tinham os requisitos necessários para a formação, alugava as salas e fazia o acompanhamento das acções em termos de apoio aos formadores, elaborava os mapas de assiduidade, fazia o controlo de faltas, dos conteúdos programáticos, folhas de sumários, fichas de identificação dos formandos e formadores, relatórios de execução final, recebia relatórios de formadores, fornecia o equipamento didáctico e áudio visual, estava presente e respondia perante uma supervisão feita por técnicos do Ministério; enfim tudo isto fazia parte do tal dossier técnico pedagógico e todo este trabalho tinha de ser feito porque havia a parte financeira onde tínhamos de fazer a ponte com o Ministério visto que estas acções eram todas financiadas.

Todo este processo era feito por uma ou um coordenador; acontece que eu não tinha a formação necessária então fui tirar um Curso de Formação de Formadores e outro de Coordenadores para então estar certificada para fazer as coordenações. Nesta formação aprendemos qual o papel do coordenador, a fazer levantamentos de necessidades de formação, metodologias da formação, dinâmicas de grupo, comportamento humano e projectos de formação profissional, a programar novas acções para o ano seguinte.

Tenho um CAP, mas nunca dei formação porque não tinha nenhuma área específica, e o que sempre gostei de fazer é a coordenação.

Para mim a coordenação é mais interessante, pois movimentamos muita coisa como já expliquei atrás. Além de convivermos com muita gente diferente onde ensinamos algo mas também, e principalmente, aprendemos muito.

Aqui posso dizer que surgiram muitos conflitos de interesses, pois é um trabalho que dá dinheiro e havia sempre uma “guerra” entre as entidades para definir quem era responsável pela formação e dividir as coordenações e as formações, pois é um projecto que envolve muito dinheiro. Tinha que ter capacidade para gerir todos estes conflitos pensando sempre em prol da minha entidade, mas sem querer fazer juízos que não me competiam, apesar de assistir a muitas injustiças.

Posso ainda dizer que como coordenadora, coordenei várias acções de formação tais como as de: Empresários Agrícolas, Segurança e Higiene do Trabalho, Doçaria e Gastronomia Regional, Floricultura, Marketing Agro-alimentar, Podas e Enxertias, Contabilidade Informatizada, Marketing e Tecnologias de Informação, Informática, Contabilidade e Gestão Agrícola, Doçaria Regional, Viticultura, Horticultura, Artesanato Regional, etc.

Sem comentários: